Transtorno Factício: conheça as principais causas e sintomas

Transtorno Factício: conheça as principais causas e sintomas

Transtorno Factício: conheça as principais causas e sintomas

Mais conhecido como Síndrome de Münchhausen, o Transtorno Factício foi descoberto pelo médico e pesquisador britânico Richard Asher, em 1951. Ele identificou esse distúrbio ao analisar pacientes que inventavam, intencionalmente, sintomas de certas doenças com o intuito de receber atenção profissional constante e especializada.

Neste artigo, irei explicar o que causa esse transtorno, que também ficou conhecido como “síndrome do paciente profissional” ou “síndrome da dependência hospitalar”. Ainda, veja como identificar os sinais que indicam a necessidade de buscar ajuda médica e quais são as melhores alternativas de tratamento. Boa Leitura!

O que é Transtorno Factício?

Essa doença é caracterizada pela simulação consciente de sintomas de um desequilíbrio físico, psicológico ou cognitivo. Nos casos mais graves, pode haver até adulteração de laudos e de exames laboratoriais. A finalidade é “oficializar” o diagnóstico de doenças fictícias. 

Alguns pacientes adotam esse comportamento para receber vantagens como medicamentos, internações e atestados médicos. Outros se apegam tanto a essa condição de hipocondria que usam esse transtorno como meio para não parar de tomar remédio psiquiátrico.

Dada a complexidade que envolve o Transtorno Factício, um estudo publicado no Scielo destacou a importância da avaliação multidisciplinar para a correta identificação desse problema. Isso porque, com o tempo, os pacientes com esse perfil se tornam manipuladores e adquirem habilidades para “trapacear” os profissionais de saúde.

Esse transtorno está subdividido em dois tipos, a saber:

  • imposto a si — é quando o paciente alega diferentes doenças e simula os sintomas, principalmente na presença de algum profissional de saúde;
  • imposto ao outro — condição em que ocorre o abuso psicológico dos pacientes ou por violência física ou sexual, principalmente por mãe narcisista.

Como esse problema se manifesta?

Em alguns casos, os pais ou responsáveis podem se comportar de forma que qualifica o Transtorno Factício. Isso merece atenção especial, pois negligência infantil, maus tratos e abuso podem causar marcas emocionais profundas e problemas como insônia crônica. Tais quadros provocam mudanças permanentes no tipo de resposta fisiológica ao estresse, sobretudo na fase de crescimento e desenvolvimento.

Nesse contexto, destacamos as principais manifestação do Transtorno Factício. Observe!

Negligência

Esse é um problema global e que se expressa de diversas maneiras. Porém, as mais comuns são a negligência infantil (caracterizada pela ausência dos genitores ou responsáveis), a negligência educacional e a negligência emocional. Falhas na garantia dos cuidados fundamentais de proteção às crianças as tornam mais vulneráveis aos riscos de sofrer o Transtorno Factício imposto ao outro.

Na infância, a falta de nutrição emocional eleva as possibilidades de algum oportunista — e portador dessa síndrome — explorar a fragilidade da criança. Além do abalo psicológico, as falhas no provimento das necessidades básicas como saúde, educação, moradia, roupas, e comida também desestabilizam a saúde mental dessa nova geração.

Violência física

Esse tipo de violência é caracterizado por situações em que o agressor provoca lesões no corpo de alguém, principalmente de quem não tem condição de defesa. No geral, as maiores vítimas são as crianças. Essa condição as expõem a graves problemas emocionais e psíquicos, que podem podem provocar danos permanentes.

Além disso, outro tipo de manifestação desse transtorno mental é quando o agressor explora a condição submissa da criança ou de algum incapaz. No Transtorno Factício imposto a outro, os pais ou responsáveis também simulam doenças para os filhos. Eles insistem com os médicos para fazer diversos tipos de exames para detectar diagnósticos de doenças inventadas.

Quais são as possíveis causas e motivações?

Nos pacientes com a personalidade marcada por elementos característicos do falso self patológico, o Transtorno Factício é multicausal. A motivação também sofre influência de diferentes aspectos emocionais, sobretudo ligados à intensa carência primitiva resultante dos traumas ou dificuldades enfrentados ao longo da vida.

Contextualmente, o Transtorno Factício engloba aspectos de ordem emocional, psíquica, social e penal. O comportamento desses pacientes reflete, claramente, o medo, o desespero, a solidão e a fragilidade dos laços familiares e sociais. Isso torna o hospital uma alternativa para conseguir um pouco de atenção que, no caso, serve como um alívio para as dores do corpo e da alma.

Sob o ponto de vista assistencialista, os profissionais da saúde precisam cultivar um outro olhar para esses indivíduos. Independentemente da causa ou motivação, as atitudes deles podem representar, entre outros sinais, um grito de alerta. Logo, esse tipo de transtorno mental exige atenção especializada e um acompanhamento contínuo para reverter o quadro, antes que evolua para complicações ainda mais sérias.

Quais doenças e transtornos podem estar relacionados a essa síndrome?

Nesta síndrome, os pacientes expressam sinais e sintomas que estão relacionados a outros desequilíbrios emocionais. Geralmente, as crises de ansiedade e a depressão são vistas como a base para o desenvolvimento de outros agravos que colocam em risco a saúde mental. Tais problemas são gatilhos para tornar o humor, o comportamento e os relacionamentos interpessoais instáveis.

Contudo, há outros desequilíbrios que também contribuem para potencializar os sintomas do Transtorno Factício. Observe:

  • Transtorno Obsessivo Compulsivo;
  • Transtorno de Borderline;
  • Mania bipolar:
  • Esquizofrenia;
  • Depressão.

Como é o diagnóstico e o tratamento do Transtorno Factício?

Psiquiatras pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) publicaram um artigo que destaca o quanto essa síndrome desafia as especialidades médicas. O diagnóstico precoce é essencial à redução da morbidade do transtorno, já que a violência e a negligência são as principais causas de morte na faixa etária de 1 a 19 anos de idade.

Por esse motivo, o sucesso do tratamento desse distúrbio requer uma avaliação multidisciplinar e cuidadosa de cada caso. Compreender os pormenores que levam às mudanças comportamentais típicas dessa doença faz toda a diferença para a reabilitação eficaz da saúde dos indivíduos.

Conhece alguém nessa condição? Entre em contato conosco e agende uma avaliação com os nossos profissionais!

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