Depressão na adolescência: como identificar e buscar ajuda?

Depressão na adolescência: como identificar e buscar ajuda?

Depressão na adolescência: como identificar e buscar ajuda?

A chegada da puberdade ainda provoca muitas dúvidas. É nessa fase que acontecem as principais mudanças no corpo e na mente de uma pessoa. Tantas novidades ao mesmo tempo podem causar insegurança ou instabilidade emocional. Assim, casos de depressão na adolescência não são raros.

Questões físicas, hormonais e até sociais podem ser gatilhos para a mudança de humor, a sensação de tristeza e a perda da motivação. Saber discernir quais são as causas desses sintomas é muito importante para lidar com questões mal resolvidas e combater de forma adequada os sinais da depressão na adolescência.

No entanto, esse é um tema que não pode ficar escondido dentro de casa. A depressão é um problema sério que precisa do suporte de especialistas para que seja devidamente tratado. A seguir, vamos esclarecer mais conceitos sobre esse quadro clínico. Também vamos falar sobre formas de lidar com o paciente e buscar ajuda. Acompanhe.

Reconhecendo o início da depressão na adolescência

Apesar de a depressão ser uma doença, é importante entender que esse quadro é diferente das patologias que atingem a saúde física. A depressão não se manifesta de uma hora para outra, como uma gripe ou resfriado. Isso significa que o adolescente não vai dormir bem e no dia seguinte acordar deprimido.

Existem alguns sinais que podem ser percebidos pelos pais, familiares e colegas que podem contribuir para identificar um adolescente com risco de desenvolver a depressão. Ou seja, existe um caminho percorrido até que a doença se instale de fato.

Muitas vezes, pode ser difícil identificar o início de uma depressão porque a adolescência é marcada por uma série de mudanças, inclusive de comportamento e na personalidade. Ainda assim, pessoas mais próximas ao adolescente podem fazer essa observação e notar quando algo está fora do comum.

Portanto, é essencial conhecer muito bem o adolescente e manter uma relação próxima com ele, o mais aberta possível. Vale observar os seus hábitos e comportamentos rotineiros, assim como analisar quais são as suas reações diante de diferentes situações do dia a dia. Esse é um material essencial para fazer um comparativo quando algo está fora de contexto.

Mudanças após eventos específicos

Existem alguns fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de depressão na adolescência. Portanto, ao perceber pequenas mudanças no comportamento e nas atitudes do adolescente, é interessante fazer um comparativo com eventos que ele tenha vivenciado mais recentemente.

Um dos fatores que podem causar a depressão na adolescência é o jovem ter sido exposto a algum tipo de violência física ou sexual, seja ele vítima ou testemunha. Casos de bullying também podem levar à depressão, assim como a alteração da orientação sexual.

Adolescentes que consomem bebidas alcoólicas, tabaco ou drogas têm um fator de risco aumentado para o desenvolvimento de depressão. Também acontece em casos de suicídio de pessoas próximas ou conhecidas e a vivência de eventos traumatizantes, como o divórcio dos pais ou a morte de um familiar ou de um amigo.

Características pessoais ou familiares

É interessante observar com cautela jovens que têm algumas características pessoais específicas. A obesidade, por exemplo, é um fator de risco para a depressão na adolescência.

Isso também acontece quando o adolescente tem problemas de autoestima ou em seus relacionamentos. O mesmo vale para aqueles que sofrem de bulimia, de anorexia, ou que têm casos na família de depressão, alcoolismo ou transtorno bipolar.

É válido ressaltar que isso não significa que adolescentes que se encaixam nesse perfil vão necessariamente desenvolver a depressão. Entretanto, é importante considerar as mudanças de comportamento e as ações daqueles que têm essas características, a fim de identificar o início de um quadro depressivo.

Sinais de alerta

As oscilações de humor são bastante comuns durante a adolescência. Nessa fase, o jovem também pode manifestar novos gostos e preferências, desenvolver a sua identidade e a sua personalidade; mas alguns sinais acendem um alerta porque são muito diferentes daquilo que esse jovem de fato é.

Um adolescente com tendência depressiva pode perder o interesse por coisas que antes ele gostava ou por algum lugar específico. Também pode se recusar a interagir com determinadas pessoas e demonstrar um excesso de autocrítica e insatisfação com tudo ao seu redor.

Seu temperamento muda, por exemplo, de uma pessoa alegre e brincalhona para uma mais reservada, tristonha ou distraída. Em alguns casos, o adolescente pode ficar rebelde ou tomar atitudes que antes não tomava, até mesmo indo contra a educação e os valores passados pela família.

Esses são apenas alguns exemplos de situações que podem acontecer. O principal é identificar no adolescente aquilo que está fora de contexto em relação ao que ele era.

Essas mudanças, quando negativas, exigem atenção. Vale lembrar que a depressão na adolescência, e também de um modo geral, pode variar seus sintomas e características de pessoa para pessoa.

Identificando a depressão na adolescência

Nem todos os sinais de tristeza ou falta de interesse podem ser considerados indícios de depressão. Na adolescência, as mudanças biológicas são bastante significativas e, como dito, podem provocar oscilações no comportamento.

Além disso, uma pessoa não tem as mesmas emoções todos os dias. Em alguns ela está mais alegre, em outros mais cansada; em outros, ainda, tristonha, irritada, de mau humor, e assim por diante. Tudo isso faz parte da vivência humana e muda conforme as situações enfrentadas e as relações entre indivíduos.

Porém, essas emoções são transitórias e não causam uma grande interferência nas atividades que a pessoa realiza ao longo do dia. Também não provocam mudanças significativas na personalidade e no comportamento; o que é diferente quando se trata de um caso de depressão na adolescência.

O adolescente deprimido pode mudar de uma forma radical. Em alguns casos, a família já não reconhece mais o jovem; mas também existem quadros depressivos silenciosos, com alterações sutis. Isso demonstra ainda mais a necessidade de uma relação estreita e um diálogo aberto, observando os pequenos sinais e até mesmo comentários feitos pelo adolescente.

Principais sintomas de depressão na adolescência

A depressão na adolescência pode provocar sintomas emocionais, físicos e sociais. Logo, é preciso ter atenção com as seguintes manifestações, em especial quando elas são persistentes:

  • emocionais: ansiedade, irritabilidade, tristeza, mudanças bruscas de humor;
  • físicas: dores, mudança de peso, cansaço ou indisposição para atividades cotidianas;
  • sociais: falta de atenção, mau desempenho nos estudos, dificuldade na interação com outras pessoas.

Não podemos esquecer que a depressão na adolescência também está relacionada com casos de suicídio. Assim, podemos identificar os sintomas dessa doença por meio de algumas afirmações feitas pelo adolescente, como:

  • eu não deveria ter nascido;
  • eu não faço falta neste mundo;
  • não sei por que estou aqui;
  • queria sumir para sempre;
  • ninguém vai sentir a minha falta;
  • gostaria de morrer;
  • quero desaparecer;
  • queria dormir e nunca mais acordar.

Afirmações como essas acendem um sinal de alerta ainda mais intenso, uma vez que não só denotam um quadro de depressão na adolescência como também a tendência suicida do jovem. Assim, é fundamental procurar a ajuda de um especialista.

Independentemente do diagnóstico, o mais importante é estabelecer uma relação de confiança e manter o diálogo constante com o adolescente. Dessa maneira, é mais fácil saber quais são as suas dores e, assim, encontrar as formas mais eficazes de combatê-las.

Também é fundamental que o adolescente não se sinta pressionado ou vigiado. Essas sensações podem ser danosas para o seu desenvolvimento, capazes até de provocar o agravamento dos sintomas de uma possível depressão.

Procurando ajuda profissional

É importante fazer um diagnóstico correto e preciso sobre o quadro clínico do adolescente para realizar o tratamento adequado. Para isso, é necessário buscar a ajuda de profissionais qualificados, que já tenham lidado com casos semelhantes, de preferência.

Existem hospitais e clínicas especializadas em transtornos mentais. Além disso, grupos de apoio podem ser de grande ajuda para estimular o paciente a compartilhar experiências e prosseguir em seu tratamento.

As causas dos transtornos mentais são subjetivas e podem gerar sintomas contraditórios. Além disso, se os verdadeiros motivos do problema não forem combatidos, o tratamento fará pouco ou nenhum efeito.

Dessa forma, ao mesmo tempo que se busca ajuda médica para um caso de depressão na adolescência, é necessário diligência para combater as causas externas do problema.

A relação entre os familiares, o círculo social que o adolescente frequenta e as pressões ou cobranças com que ele precisa lidar são alguns exemplos de questões que podem ser revistas no combate à depressão.

O mais importante é que o adolescente tenha consciência de sua situação e saiba que é necessário se esforçar para superá-la. Paciência e diálogo são fundamentais para esclarecer que a depressão não é motivo de vergonha e que precisa ser tratada corretamente para ter uma vida melhor.

Entendendo a importância da ajuda especializada

É verdade que o apoio da família e do círculo social é fundamental para combater a depressão na adolescência; porém, não é suficiente. Como dito, é preciso entender o que está provocando esse quadro para solucionar o problema em sua raiz.

Muitas vezes, nem mesmo a pessoa que está deprimida sabe o que está fazendo com que ela se sinta dessa maneira. Existem diversos fatores sociais, emocionais e até mesmo físicos que se relacionam com a depressão; por isso, é fundamental o suporte de especialistas para investigar o caso a fundo, algo que a família sozinha não consegue fazer.

Não podemos esquecer, também, que lidar com uma pessoa depressiva não é uma tarefa muito fácil, em especial quando não se tem experiência, nem conhecimentos sobre como conduzir essa situação. Portanto, a família precisa de ajuda para saber como ajudar o adolescente deprimido.

O especialista oferece esse suporte aos familiares para que eles saibam como agir diante de um quadro de depressão na adolescência. Pode acontecer, até mesmo, de um familiar também precisar de apoio psiquiátrico ou psicológico para combater outros problemas de saúde mental, equilibrando, assim, o círculo familiar.

A depressão é um problema que dificilmente pode ser revertido sem a ajuda de especialistas. Sem o devido suporte de uma equipe médica, existe um grande risco de recidivas, justamente porque a causa inicial não foi combatida. Logo, reafirmamos que essa é uma situação que não pode ficar restrita ao lar.

O ideal é que a depressão na adolescência seja identificada quando os primeiros sinais começam a surgir; melhor ainda se diante de um fator de risco a família buscar ajuda precoce para o adolescente, a fim de evitar que ela se manifeste. Caso isso aconteça, existem equipes especializadas para fazer o tratamento, reequilibrando a saúde mental e a qualidade de vida do adolescente.

Quanto antes a depressão começar a ser tratada, melhor. Para saber como podemos ajudar você, entre em contato com a nossa equipe e converse com os nossos especialistas.

© Dra. Luciana Mancini Bari 2021 - Todos os direitos reservados.