Síndrome de Korsakoff: entenda como o álcool potencializa essa doença

Síndrome de Korsakoff: entenda como o álcool potencializa essa doença

Síndrome de Korsakoff: entenda como o álcool potencializa essa doença

A Síndrome de Korsakoff é classificada como uma disfunção que causa uma grave perturbação neurológica. Entre as suas características mais evidentes estão a desorientação cognitiva e espacial, que é associada à amnésia, ao desequilíbrio postural e a complicações visuais.

Tendo isso em vista, vou explicar o que é a Síndrome de Korsakoff e como o consumo de álcool potencializa os seus sintomas. Também destacaremos as suas possíveis causas e a influência do abuso de álcool sobre o comportamento e as emoções. Ainda, entenda a importância do tratamento psiquiátrico especializado como a melhor alternativa para reverter esse quadro. Boa leitura!

Entenda o que é Síndrome de Korsakoff

Em linhas gerais, esse transtorno é caracterizado por sintomas associados ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Nos pacientes que apresentam esse perfil, uma das consequências do alcoolismo é a destruição de importantes neurônios, as células nervosas. Essa perda celular altera a estrutura cerebral e contribui para o desenvolvimento de diferentes sintomas, que veremos mais adiante.

Logo, uma das características da síndrome de Korsakoff é a amnésia marcante associada a outros prejuízos cognitivos, que levam a um estado de confusão mental grave. Porém, esse transtorno mental também pode surgir em outros contextos, principalmente relacionados à desnutrição pela falta de vitamina B1. Contudo, a doença é mais comum em quadros de alcoolismo.

Veja a relação dessa síndrome com a encefalopatia de Wernicke

Ainda que possa surgir por razões ligadas à alimentação e saúde mental , a síndrome de Korsakoff está intrinsecamente associada ao abuso de bebidas alcoólicas. Quando há excesso de álcool no organismo, ocorrem reações metabólicas que interferem nas funções orgânicas. Nessa síndrome, o álcool impede a ação da enzima responsável pela conversão de vitamina B1.

Como essa vitamina é de extrema importância para o bom funcionamento dos neurônios, sem ela, eles morrem ou perdem a capacidade de desempenhar suas atividades. Desse modo, o primeiro sinal de prejuízo cerebral é confusão mental aguda, quadro conhecido como encefalopatia de Wernicke.

Por conseguinte, esse estado mental também contribui para o surgimento de um tipo de amnésia, que se manifesta a longo prazo, a síndrome de Korsakoff. Logo, esse transtorno resulta da junção de duas condições clínicas, que se desenvolvem na maioria das pessoas com diagnóstico de encefalopatia de Wernicke não tratada.

Conheça os principais sintomas dessa síndrome

Primeiramente, vamos destacar algumas especificidades da encefalopatia de Wernicke, já que ela está interligada à síndrome de Korsakoff. No entanto, vale frisar que essas características não são exclusivas desse quadro, já que podem surgir em outras doenças.

Assim, além da confusão mental, os sintomas mais evidentes são:

  • visão dupla;
  • estrabismo;
  • distúrbios do sono
  • perda do equilíbrio;
  • maior tendência à tontura;
  • tendência à hemorragia ocular;
  • problemas relacionados ao movimento dos olhos.

Já no transtorno de Korsakoff, os sinais mais presentes são os prejuízos cognitivos que se caracterizam por:

  • alucinações;
  • agressividade;
  • apatia e desânimo;
  • dificuldade para a verbalização.
  • prejuízos no julgamento de valor;
  • andar mais lento e desequilibrado;
  • distúrbios de consciência e de estado mental;
  • comprometimento do aprendizado e da memória.

Entenda por que o álcool piora o quadro psicológico

Recentemente, um estudo publicado no Scielo relacionou a demência de Korsakoff com o abuso de substâncias e o quanto isso implica em repercussões neuropsicológicas e motoras. Segundo os autores, o consumo abusivo de substâncias — como o álcool — podem alterar, significativamente, importantes funções cognitivas, físicas e emocionais.

Como já descrito, o excesso de álcool leva a uma encefalopatia crônica, condição que compromete as funções neuropsiquiátricas do indivíduo. Por tal razão, os danos cerebrais típicos da síndrome de Korsakoff também elevam os riscos de afetar a estabilidade psicológica. Nessa condição, o paciente se torna mais vulnerável às crises de ansiedade e depressão, por exemplo.

Conheça as melhores alternativas de tratamento

Dependendo do nível de comprometimento da doença, alguns distúrbios mentais podem ser tratados com terapia eletroconvulsiva. Essa alternativa tem sido amplamente empregada para minimizar os impactos de doenças como depressão, sobretudo em pacientes que já apresentam outras comorbidades psíquicas.

Porém, como a síndrome de Korsakoff é considerada uma das piores consequências do alcoolismo, ela exige uma assistência diferenciada. Assim, os melhores tratamentos são baseados em abordagens que combinam diferentes intervenções terapêuticas.

Para melhor compreensão do tema, destacamos as mais comuns. Veja quais são!

Terapia medicamentosa

Nas crises mais graves, o tratamento da Síndrome de Korsakoff requer o uso de suplementação de vitamina B1. Também pode ser necessária a prescrição de remédios ansiolíticos e de controle de sintomas relacionados à dificuldade de equilíbrio. Vale destacar, entretanto, que esses remédios só podem ser tomados sob supervisão médica.

Intervenções psicoterapêuticas combinadas

Com vistas ao melhor resultado do tratamento, o suporte psicológico pode ser uma alternativa complementar às demais terapias. Entre as opções mais utilizadas, destacam-se a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que tem como base a reabilitação emocional do paciente. 

O objetivo desse método é promover a recuperação de habilidades comportamentais e sociais que ajudem o indivíduo a superar o alcoolismo e se adaptar à abstinência. Para tanto, esse tipo de assistência pode ser feita em nível ambulatorial ou por meio da internação. 

Acompanhamento psiquiátrico

O suporte psiquiátrico é fundamental para o controle dos sintomas da síndrome de Korsakoff. Além de acompanhar a evolução do paciente e avaliar os efeitos dos medicamentos, o psiquiatra trabalha, geralmente, em conjunto com a equipe multidisciplinar. Assim, as terapias combinadas podem se tornar ainda mais eficazes, o que aumenta as chances de alcançar resultados mais rápidos e acertados. 

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P.S. Matéria feita para o Hospital Santa Mônica

© Dra. Luciana Mancini Bari 2021 - Todos os direitos reservados.